Chanel com franja, vermelha.

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Eram 100 reais, uma peruca e uma conta negativa. De tempos em tempos as coisas estavam indo embora. Dessa vez era a peruca.

Marcou às 17h, na Mooca. “Sabe o Museu da Imigração?”. Poxa… não conhecia o lugar. “Paulistana?”. Até era, mas não conhecia o lugar. Acontece.

Com o parque era diferente. Familiar e tranquilo. Adjetivos regulares para um parque, que cumpre a função de ser parque, e só. Os cachorros se estranham, iniciam uma discussão, para o pavor dos donos, que gritam em volume superior ao dos latidos. Quiprocó clássico.

O celular mostra o caminho até o museu. Um ônibus e o metrô, eu prefiro. Esse tipo de percurso já estava esquecido, desde que as coisas saíram do lugar. Não havia o ponto das 9h às 18h, e a gente não acostuma passear onde mora.

Linha 4114-10, para o Pq Dom Pedro II. Os ônibus de cor verde, eu estranho. A dificuldade do ônibus é saber onde descer. Ruas, alamedas, prédios bege, sujeira, carro dos ovos, mulheres empurrando carrinhos que carregam crianças que já sabem andar. Desço na Praça da Sé e percebo fatalidade de marcar o encontro no horário de fechamento do museu. Paulistana, continuarei não conhecendo o Museu da Imigração.

É que precisa ser hoje. A conta está negativa. “Prefiro buscar direto com você”. Ao digitar o número da agência e conta, o dinheiro iria embora sem me conhecer.

Linha vermelha, desço em Bresser-Mooca. Gostaria de classificar as estações que têm dois nomes, com meus adjetivos limitados. É de praxe que eu me perca. Não ria, é verdade. É que, você sabe, ruas, alamedas, prédios bege, sujeira, carro da pamonha e os zumbis dos smartphones, me confundem.

De praxe também é eu me achar. Desculpem, mas o museu precisa de um adjetivo: ordinário – ao menos por fora… Ele mora no prédio em frente. À primeira vista, alguém também ordinário. Sabia que a peruca não era para ele, mas preferiria que fosse. Isso não me diz respeito, eu sei. É que a gente se apega àquilo que tem, daí quer controlar seu destino.

Negócio fechado. “Então, esse é o Museu da Imigração, ó!”. Eu sei. Fiquei sabendo. Estamos ambos satisfeitos – último adjetivo para essa tarde de segunda-feira. Volto para o metrô, linha vermelha, linha azul, ruas, alamedas, prédios bege, sujeira, trânsito, contra fluxo, a fofoca da menina do contas a pagar. Sem a peruca. Com 100 reais. A conta permanece negativa.

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